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Guia · pesquisas eleitorais

Como ler uma pesquisa eleitoral

Margem de erro, nível de confiança, empate técnico, registro no TSE e por que enquete não é pesquisa — em linguagem simples, com exemplos.

1. O que é uma pesquisa eleitoral

Uma pesquisa eleitoral entrevista uma amostra de eleitores — algumas centenas ou alguns milhares de pessoas — escolhida para se parecer com o eleitorado (sexo, idade, escolaridade, região, renda). A partir das respostas, o instituto estima como todo o eleitorado pensa naquele momento.

Por isso uma pesquisa é um retrato do período da coleta, não o resultado da eleição. O eleitor pode mudar de ideia depois, e quem não sabe em quem votar ainda vai decidir.

2. O registro no TSE

Toda pesquisa eleitoral divulgada ao público precisa ser registrada na Justiça Eleitoral até 5 dias antes da divulgação (Lei 9.504/1997, art. 33, e Resolução TSE 23.600/2019). No registro ficam o contratante, quem pagou e quanto, a metodologia, o plano amostral, o período de coleta e o questionário.

  • O número de registro tem o formato UF-NNNNN/2026 (ou BR-NNNNN/2026 nas nacionais) e deve aparecer em toda divulgação.
  • Qualquer pessoa pode conferir o registro no PesqEle, o sistema público do TSE.
  • Divulgar pesquisa sem registro sujeita a multa; divulgar pesquisa fraudulenta é crime (art. 33, §§ 3º e 4º).

Na Colinha Digital, só mostramos os números de pesquisas com registro. As demais aparecem só com o link da fonte (por quê?).

3. Margem de erro e nível de confiança

Como a pesquisa ouve só uma parte dos eleitores, o resultado vem com uma margem de erro, por exemplo "2 pontos percentuais para mais ou para menos".

Se um candidato tem 45% numa pesquisa com margem de 2 pontos, o número verdadeiro, naquele momento, provavelmente está entre 43% e 47%.

O nível de confiança (quase sempre 95%) diz com que frequência essa faixa acerta: se a mesma pesquisa fosse repetida 100 vezes do mesmo jeito, em cerca de 95 delas a faixa conteria o número verdadeiro. Em cerca de 5, não.

Quanto maior a amostra, menor a margem — mas ela diminui devagar. Numa amostra aleatória simples, com 95% de confiança, a margem máxima é de aproximadamente:

EntrevistasMargem aproximada
6004,0 pontos
1.0003,1 pontos
2.0002,2 pontos
5.0001,4 ponto

Cada instituto declara a sua margem conforme o próprio plano amostral. Importante: a margem só cobre o erro de amostragem. Erros de outro tipo (perguntas, quem aceita responder, mudança de opinião depois da coleta) não estão nela.

4. Empate técnico

Fala-se em empate técnico quando a diferença entre dois candidatos é menor ou igual à soma das margens dos dois (o dobro da margem). Nesse caso as faixas dos dois se sobrepõem e a pesquisa não permite dizer, com segurança, quem está à frente.

Margem de 2 pontos: A com 46% (faixa 44–48) e B com 43% (faixa 41–45). A diferença é de 3 pontos, menor que 4 (2 + 2): empate técnico.

Empate técnico não quer dizer que os dois estão exatamente iguais — quer dizer que a pesquisa, sozinha, não consegue separar os dois.

5. Votos totais × votos válidos

Votos totais incluem quem vai votar em branco, anular ou ainda não sabe. Votos válidos contam só os votos dados aos candidatos — é assim que o TSE calcula o resultado oficial.

45% × 40% nos totais, com 15% de brancos, nulos e indecisos, viram 45 ÷ 85 = 52,9% × 40 ÷ 85 = 47,1% dos válidos.

No 2º turno, ganha quem tiver mais da metade dos votos válidos.

6. Estimulada, espontânea e rejeição

  • Estimulada: o entrevistador mostra a lista de candidatos. É o número mais divulgado.
  • Espontânea: o eleitor responde sem ver a lista. Mostra quem já tem o nome na cabeça.
  • Rejeição: em quem o eleitor "não votaria de jeito nenhum". Pode somar mais de 100%, porque a pessoa pode rejeitar mais de um.

7. Por que os institutos divergem

  • Datas diferentes: uma pesquisa feita há 10 dias retrata outro momento.
  • Modo de coleta: entrevista presencial, por telefone (com ou sem atendente) ou pela internet alcançam públicos um pouco diferentes.
  • Ponderação: cada instituto ajusta a amostra ao perfil do eleitorado com critérios próprios.
  • Perguntas: a ordem e o texto das perguntas mudam as respostas.
  • Acaso: mesmo com o mesmo método, duas amostras dão números um pouco diferentes — é a margem de erro.

Diferenças que se repetem eleição após eleição no mesmo sentido são chamadas de efeito de casa. A Colinha mede isso com as eleições passadas em Método e calibração e mostra o histórico de cada instituto em Acerto dos institutos. Diferença para o resultado não indica irregularidade.

8. Enquete não é pesquisa

Enquete é qualquer votação em que participa quem quer — em site, rede social, grupo de mensagens. Ela não tem amostra planejada nem margem de erro, e um grupo organizado pode distorcer o resultado. Por isso a divulgação de enquetes sobre a eleição é proibida durante a campanha (Lei 9.504/1997, art. 33, § 5º, e Resolução TSE 23.600/2019, art. 23).

Se aparecer um "resultado" sem número de registro no TSE, desconfie e não compartilhe.

9. O que a Colinha Digital faz (e o que não faz)

A Colinha Digital não faz, não encomenda e não altera pesquisas. Nós reunimos as pesquisas registradas no TSE e divulgadas pelos institutos e pela imprensa, com o link de cada fonte. Em cima delas, fazemos cálculos próprios, sempre identificados:

  • Média ponderada: resume as pesquisas registradas de cada disputa (mais peso para as recentes e as de amostra maior).
  • Probabilidade estimada de vitória (só durante a campanha): cálculo da Colinha a partir de pesquisas registradas; não é pesquisa nem previsão. Aparecia quando havia pesquisas feitas depois do 1º turno de pelo menos 2 institutos. Em 2026, ficou suspensa de 24/10 0h a 25/10 17h (horário de Brasília) e, depois do resultado oficial, deixou de ser exibida: no lugar dela, cada disputa mostra o resultado oficial do TSE ao lado da média das pesquisas.
  • Modelo experimental por estado: estimativa da Colinha que combina pesquisas registradas, o perfil do eleitorado e o 1º turno. É um modelo, não é pesquisa eleitoral e não tem registro no TSE; em 2026 também ficou suspenso de 24/10 0h a 25/10 17h e hoje aparece como registro, ao lado do resultado oficial.
  • Acerto dos institutos: compara a última pesquisa de cada instituto com o resultado oficial, em 2026 e de 2012 a 2024.

No dia da eleição de 2026, das 0h às 17h, a página também não incluiu pesquisas novas divulgadas nesse dia. Os detalhes das contas estão em Como calculamos e em Método e calibração.

10. Antes de compartilhar uma pesquisa

  • Tem número de registro no TSE? Confira no PesqEle.
  • Quem fez e quem pagou a pesquisa?
  • Quando foi a coleta? Quantas pessoas foram entrevistadas?
  • Qual a margem de erro e o nível de confiança? A diferença entre os candidatos é maior que a soma das margens?
  • Os números são de votos totais ou de votos válidos?
  • Você está vendo a fonte original (instituto ou veículo que divulgou), e não um print sem origem?