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Pesquisas · método aberto

Método e calibração

Como o nosso cálculo se saiu no 2º turno de 2026 e como o testamos com as eleições de 2012 a 2024: quantas vezes a probabilidade acertou, o que mudamos (e o que não), o efeito de casa de cada instituto e o selo de acerto histórico (A a D).

Como o cálculo se saiu em 2026

Durante a campanha, a probabilidade apareceu nos cartões de presidente (Brasil) e de governador. O último cálculo publicado foi o de 15/10/2026 (10 dias antes do 2º turno): as rodadas de atualização do catálogo pararam nessa data, e de 24/10 0h a 25/10 17h a probabilidade ficou suspensa. Depois do resultado oficial do TSE (25/10, 23h27) ela deixou de ser exibida; abaixo, o que ela dizia ao lado do resultado.

DisputaProbabilidade calculada em 15/10 para quem foi eleitoDistância entre a média das pesquisas e o resultadoPesquisas na média
Presidente · Brasil32,8%3,4 pt13
Governador · Acre99,9%2,4 pt2
Governador · Amazonas96,7%4,4 pt2
Governador · Distrito Federal99,8%3,5 pt5
Governador · Espírito Santonão calculada (pesquisa única)3,1 pt1
Governador · Rio Grande do Norte30,1%3,2 pt4
Governador · Tocantins69,5%12,3 pt3

Nas 6 disputas com probabilidade calculada, quem tinha mais de 50% foi eleito em 4 de 6. Brier = 0,172 e log-loss = 0,453 (quanto menor, mais perto do que aconteceu; dizer sempre 50% dá Brier 0,25). No teste com 2012–2024, a 14 dias da eleição, o Brier foi 0,146 (18 casos). Com tão poucas disputas, um ou dois resultados mudam muito esses números.

A distância entre a média das pesquisas catalogadas e o resultado oficial ficou entre 2,4 e 12,3 pontos (média de 4,6). Parte dessa distância vem do catálogo incompleto: as pesquisas divulgadas de 16 a 24/10 — entre elas as últimas de cada instituto — não foram incluídas, então a média reflete o quadro de até 15/10. Por isso também não calculamos o acerto dos institutos no 2º turno de 2026 nem atualizamos o selo A–D com 2026.

Como testamos a probabilidade

A probabilidade de vitória que mostramos no 2º turno durante a campanha era um cálculo da Colinha a partir de pesquisas registradas; não é pesquisa nem previsão certa. Para saber se ela "acerta o tamanho", refizemos a conta para as eleições de 2012 a 2024 como se estivéssemos em cada uma delas — 21, 14, 7, 3 e 1 dia antes do 2º turno —, usando só as pesquisas registradas no TSE que já tinham terminado naquele dia. Depois comparamos com o resultado oficial.

Entraram 39 disputas de 2º turno (3 de presidente, 16 de governador, 20 de prefeito de capital) que tinham pesquisas de pelo menos dois institutos depois do 1º turno — 133 casos ao todo, somando os horizontes. Outras 71 disputas ficaram de fora por falta de pesquisas registradas publicadas.

O que é o Brier

O Brier mede a distância entre a probabilidade calculada e o que aconteceu. Se o cálculo deu 80% e o candidato venceu, a conta é (1 − 0,8)² = 0,04; se perdeu, (0 − 0,8)² = 0,64. A média de todas as disputas é o Brier: quanto menor, mais perto do que aconteceu. Dizer sempre 50% dá 0,25; acertar tudo com 100% dá 0. O log-loss é uma medida parecida que pesa mais quando uma probabilidade muito alta não se confirma.

QuandoCasosBrierLog-lossQuem estava à frente venceuErro médio da média
21 dias antes50,0130,085100%2,5 pt
14 dias antes180,1460,43278%3,4 pt
7 dias antes330,0720,23697%2,3 pt
3 dias antes380,0530,20197%2,0 pt
1 dia antes390,0470,19097%2,0 pt
Todos1330,067 (0,039 a 0,098)0,23395%2,3 pt

Intervalos de 95% calculados sorteando disputas inteiras (a mesma disputa aparece em vários horizontes, então os casos não são independentes).

Curva de calibração

Juntamos os casos em faixas da probabilidade dada ao candidato que estava à frente na média (50–60%, 60–70% … 90–100%) e contamos quantas vezes ele venceu. Quando o cálculo diz "70%", o ideal é que esse candidato vença cerca de 7 em cada 10 vezes. Ponto acima da diagonal tracejada = o cálculo foi cauteloso (venceu mais do que o calculado); abaixo = foi confiante demais. O tamanho do ponto mostra quantos casos há na faixa.

50%60%70%80%90%100%0%25%50%75%100%50–60%: calculado 55%, venceu em 76% (n = 17)60–70%: calculado 65%, venceu em 88% (n = 17)70–80%: calculado 75%, venceu em 100% (n = 16)80–90%: calculado 86%, venceu em 100% (n = 19)90–100%: calculado 98%, venceu em 98% (n = 64)probabilidade calculada para o candidato à frente na médiavenceu (frequência)
Probabilidade calculadaCasosMédia calculadaVenceu de fato
50–60%1755%76%
60–70%1765%88%
70–80%1675%100%
80–90%1986%100%
90–100%6498%98%

No histórico, os pontos ficaram acima da diagonal entre 50% e 90%: perto da eleição o cálculo foi mais cauteloso do que precisava. A duas semanas da eleição, a incerteza usada já tinha o tamanho do erro real. Em 7 casos (6 disputas) o candidato à frente na média não venceu: presidente 2014, prefeito de São Luís 2016, prefeito de Belo Horizonte 2016, prefeito de Belém 2020, governador de MS 2022, governador de RO 2022.

O que mudamos (e o que não mudamos)

Testamos outras combinações dos parâmetros do cálculo (meia-vida das pesquisas, peso da pesquisa repetida, piso da diferença entre institutos, incerteza por dia até a eleição e erro comum a todos os institutos) deixando um ano de fora de cada vez: ajustamos com os outros anos e conferimos no ano que ficou de fora.

ParâmetroEm usoIndicado pelo teste
Meia-vida das pesquisas (dias)77
Peso da pesquisa repetida do mesmo instituto0,500,50
Piso da diferença entre institutos (pontos)2,502,50
Incerteza por √dia até a eleição (pontos)0,400,40
Erro comum a todos os institutos (pontos)21

Com o valor indicado pelo teste, o log-loss (média equilibrada entre os horizontes) passaria de 0,246 para 0,236 e o Brier de 0,072 para 0,069 — melhora pequena, concentrada nos últimos 7 dias; a 14–21 dias o log-loss iria de 0,356 para 0,366.

Decisão para 2026: mantivemos os parâmetros atuais, inclusive os 2 pontos de erro comum. O teste indica que 1 ponto ficaria um pouco mais perto do resultado nos últimos 7 dias, mas não melhorava a duas ou três semanas da eleição (o ponto em que estávamos quando decidimos, em 12/10) e, no 1º turno de 2026, a maioria dos institutos errou na mesma direção na disputa para presidente — exatamente o tipo de erro que essa parcela cobre. Preferimos a margem mais larga. Além disso, a probabilidade ficou suspensa de 24/10 0h a 25/10 17h e não voltou a ser exibida depois do resultado oficial. Como ela se saiu está em Como o cálculo se saiu em 2026.

No 1º turno, quem está à frente na média termina em 1º?

Em 157 disputas de uma vaga de 2012 a 2024, quem estava à frente na média das pesquisas da véspera terminou em 1º em 125 (80%). Com vantagem acima de 20 pontos, em todas; com vantagem de até 6 pontos, em menos da metade. No 1º turno há mais candidatos e mais voto decidido na última hora — por isso não calculamos probabilidade de 1º turno.

Vantagem na médiaDisputasTerminou em 1ºErro médio da média
0–3 pts155 (33%)7,2 pt
3–6 pts147 (50%)5,3 pt
6–10 pts1710 (59%)4,7 pt
10–20 pts5244 (85%)4,5 pt
20–+ pts5959 (100%)4,4 pt

Efeito de casa

Cada instituto tem seu jeito de entrevistar (por telefone, pessoalmente, pela internet), de escolher quem ouvir e de fazer a pergunta. Isso pode fazer seus números ficarem, de forma recorrente, um pouco acima ou abaixo dos números dos outros institutos na mesma disputa e na mesma semana. Essa diferença é o efeito de casa.

Como medimos: em cada pesquisa registrada, pegamos o percentual (votos válidos) do candidato que terminou em 1º lugar e subtraímos a média das pesquisas de outros institutos da mesma disputa feitas até 7 dias antes ou depois. Positivo = o instituto deu mais a esse candidato do que os demais; negativo = deu menos. Mostramos institutos com pelo menos 5 pesquisas comparáveis, com o intervalo de 95%.

Efeito de casa não é erro (os outros institutos também podem estar longe do resultado) e não indica preferência política. Quando o intervalo inclui o zero, a diferença pode ser só acaso. Nós não corrigimos as pesquisas de 2026 por esse efeito: os números de cada pesquisa continuam exatamente os divulgados.

39 institutos com pelo menos 5 pesquisas comparáveis em 3 ou mais disputas (2012–2024), em ordem alfabética. Pontos de votos válidos.

InstitutoPesquisasDisputasEfeito de casaIntervalo de 95%Pode ser acaso?
100% Cidades104+2,8−0,6 a +5,3sim
Acertar94+2,8+1,5 a +5,3não
AtlasIntel6831+0,9−0,9 a +2,8sim
Badra53+1,4−3,7 a +4,0sim
Brasmarket146−2,2−8,0 a +6,2sim
Data Ilha159+3,1+0,8 a +5,9não
Datafolha22754−0,4−1,0 a +0,3sim
Doxa156−1,9−3,9 a −0,9não
Econométrica93+3,0−0,1 a +6,7sim
Eficaz95+1,4−0,8 a +2,6sim
Escutec116+0,5−1,6 a +2,2sim
Exata OP85−0,8−4,5 a +4,5sim
FSB143+1,6+0,7 a +2,6não
Futura155−3,0−5,6 a +0,3sim
Gerp74+2,3−4,5 a +7,4sim
Ibope20368−0,2−0,8 a +0,3sim
Ibrape114+3,2+0,8 a +5,4não
Ideia1812−1,4−3,7 a +1,3sim
Instituto Opinião84−3,5−4,9 a −1,5não
Instituto Perfil54+5,0+2,1 a +6,9não
Instituto Potencial Inteligência53−6,4−8,4 a −3,3não
Instituto Radar114+0,9−3,2 a +3,2sim
Ipec17463−0,6−1,6 a +0,4sim
Ipems137+2,5+0,5 a +4,1não
Ipespe4915+0,1−0,8 a +0,9sim
IRG84−0,2−4,5 a +4,4sim
MDA156+0,7−0,6 a +1,7sim
Paraná Pesquisas10755−0,3−1,3 a +0,5sim
Perspectiva145+0,1−1,8 a +2,4sim
PoderData134+0,2−3,8 a +3,1sim
Pontual Pesquisas83+2,4+1,2 a +3,1não
Quaest6024+2,1+0,9 a +3,5não
Ranking245−3,1−7,8 a +2,2sim
Real Time Big Data16179−0,3−1,1 a +0,5sim
Serpes154+2,8−3,1 a +8,6sim
Seta73+7,1−0,4 a +10,9sim
Vale Consultoria94−0,7−6,3 a +4,9sim
Veritá4632−0,6−3,0 a +2,2sim
Vox Populi129−1,7−4,3 a +0,6sim

Selo de acerto histórico (A, B, C, D)

O selo resume quão perto do resultado oficial ficaram as pesquisas finais de cada instituto nas eleições de 2012 a 2024, comparando com os outros institutos que pesquisaram as mesmas disputas. As pesquisas de 2026 ainda não entraram: o catálogo de 2º turno parou em 15/10 e não tem as pesquisas finais de cada instituto, então a atualização do selo com 2026 ficou pendente.

  1. Pesquisa final: a última pesquisa registrada do instituto em cada disputa, feita nas duas semanas antes da eleição.
  2. Erro: diferença média, em pontos de votos válidos, entre a pesquisa e o resultado oficial, com um desconto para pesquisas feitas mais longe da eleição (o eleitor ainda pode mudar de ideia).
  3. Comparação na mesma disputa: o erro de cada instituto é comparado com o dos outros institutos na mesma disputa — uma eleição difícil para todos não pesa só para quem pesquisou nela.
  4. Desvio recorrente: se o instituto, em média, deu mais (ou menos) ao candidato que terminou em 1º do que os outros institutos na mesma disputa.
  5. Poucas disputas puxam para a média: quem tem poucas disputas fica com o escore mais perto da média geral, porque poucos resultados podem ser sorte ou azar.
  6. Escore = 0,7 × erro comparado + 0,3 × desvio recorrente. As notas A, B, C e D correspondem aos quatro quartos dos escores de 2012–2024 (A = o quarto com escore mais baixo, isto é, mais perto do resultado). Os cortes ficam fixos.
  7. Mínimo: só recebe nota quem tem pelo menos 5 disputas em pelo menos 2 eleições.
Leia com cuidado: nesta base, as diferenças de acerto entre os institutos ficaram perto do que o acaso explica (o escore vai de −0,4 a +0,4 ponto). Por isso mostramos ao lado de cada nota o número de disputas e a estabilidade — em quantas de 1.000 simulações (sorteando de novo as pesquisas do próprio instituto) a nota se repete. O selo descreve acerto passado; não avalia honestidade, método ou intenção e não garante acerto na próxima pesquisa.
NotaInstitutoDisputasEleiçõesEstabilidade da notaErro médioComparado aos outros na mesma disputa
AAtlasIntel25384%3,5 pt−1,2 pt
ADatafolha51744%4,1 pt−0,3 pt
AMDA6385%1,9 pt−1,1 pt
AQuaest21256%3,2 pt−1,4 pt
AVox Populi6430%2,6 pt−0,7 pt
BDoxa6213%3,8 pt−1,6 pt
BFutura5212%2,3 pt−1,0 pt
BIbope108510%3,7 pt−0,1 pt
BPerspectiva5220%3,6 pt−0,8 pt
CData Ilha7348%2,5 pt−0,9 pt
CParaná Pesquisas38534%4,8 pt0,0 pt
CRanking5230%5,0 pt−0,1 pt
CReal Time Big Data58431%4,9 pt−0,2 pt
DIdeia9268%5,5 pt+0,8 pt
DIpems9449%4,0 pt−0,2 pt
DIpespe14594%5,7 pt+1,0 pt
DVeritá29394%4,8 pt+0,8 pt

Em ordem de nota e, dentro da nota, alfabética. "Comparado aos outros" negativo = ficou mais perto do resultado que os outros institutos nas mesmas disputas (antes do ajuste para poucas disputas).

74 institutos sem nota (menos de 5 disputas em 2 eleições na base 2012–2024)

100% Cidades (3), Acertar (4), Action (1), Alvo Pesquisas (1), Amostra (1), Amostragem (2), Babesp (2), Badra (1), Brasilis (1), Brasmarket (4), Consult (2), Datamax (2), Dataqualy (1), Datavero (2), Datavox (1), Destak (1), Diagnóstico (2), Direto ao Ponto (1), EAS Consultoria Estatística (1), Ecodatta (1), Econométrica (3), Eficaz (3), Enquet (2), Equilíbrio Brasil (1), Escutec (4), Exata OP (4), FlexConsult (2), Fortiori (1), FSB (3), Fundepes (2), Gerp (2), Goiás Pesquisas (2), Grupom (1), IBPS (1), Ibrape (4), Idealis (1), Impar (1), Inope Excelência (1), Instituto DataSensus (2), Instituto Opinião (3), Instituto Perfil (2), Instituto Potencial Inteligência (3), Instituto Radar (4), Instituto Valle (2), Intelligence (2), Invox Brasil (1), Ipec (59), IPEN (1), Ipopes (2), IRG (4), Iveritas (1), Mapa (2), Marca Pesquisas (1), MT Dados (2), Novo Ibrape (2), O Girassol (2), Percent Brasil (1), PoderData (4), Pontual Pesquisas (3), Prever (2), Regnum (1), Sensus (1), Serpes (4), Sigma Algebra (1), Simetria (1), Simplex (1), Studio Pesquisas (1), Tendência (1), Travessia (2), Vale Consultoria (4), Veiga (1), Veritate (2), VOPE (2), Vox Brasil (1)

Inspirado nas avaliações de institutos do FiveThirtyEight e no ranking do Pindograma, com regras próprias. O erro de cada instituto, disputa por disputa, está em Acerto dos institutos.

Limitações

  • Poucas disputas. O teste da probabilidade usa 39 disputas de 2º turno; em poucas delas o candidato à frente na média perdeu. Uma ou duas surpresas a mais mudariam os números.
  • Fontes incompletas. As pesquisas antigas vêm de tabelas públicas (Wikipédia, com a revisão fixada) cruzadas com os registros do TSE. Em 2014 e nas capitais faltam muitas disputas. Pesquisas sem número de registro não entram.
  • Margem de erro. Quando a fonte não informava a margem, usamos a fórmula padrão a partir do tamanho da amostra (98 ÷ √amostra).
  • Mudanças nas empresas. Institutos mudam de nome, de equipe e de método ao longo dos anos; tratamos cada nome como está no registro do TSE.
  • O passado não garante o futuro. Uma eleição pode ter um erro comum a quase todos os institutos, como aconteceu no 1º turno de 2026 para presidente.
Dados abertos desta página calibracao.json · selos.json · efeito_casa.json (gerados em 12/10/2026). Pesquisas de 2012 a 2024: catálogo histórico · registros: dados abertos do TSE · resultados: TSE (Raio-X das Eleições).