Reeleição, renovação e efeito do cargo
Quem tenta e quem consegue se reeleger, quanto cada Casa se renova e se ocupar o cargo ajuda ou atrapalha na eleição seguinte.
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Por partido
Efeito do cargo: prefeitos (regressão descontínua)
Comparamos candidatos(as) a prefeito que venceram por pouco com os que perderam por pouco (2000 a 2020): perto do empate, quem venceu e quem perdeu são parecidos, e a diferença no resultado da eleição seguinte estima o efeito de ocupar o cargo. Com banda de 5 pontos percentuais: pessoa eleita de novo -5,3 p.p. (IC 95%: -10,4 a -0,2); partido vence de novo -6,4 p.p. (IC 95%: -10,0 a -2,7). Valores negativos indicam desvantagem de quem ocupa o cargo — o mesmo achado de Klašnja e Titiunik (2017) para o Brasil.
Todas as estimativas e testes de placebo
Como calculamos
Ocupantes = eleitos para o cargo na eleição anterior, na mesma circunscrição (estado ou município); senadores: eleitos 8 anos antes. Elegíveis = ocupantes que podem concorrer de novo (governador e prefeito no 2º mandato seguido não podem — CF art. 14, §5º). Recandidatura = elegíveis que se candidataram ao mesmo cargo; reeleição = eleitos entre os que tentaram; renovação = eleitos que não ocupavam o cargo. Suplentes que assumiram durante o mandato não contam como ocupantes. 2026: resultado oficial do TSE do 1º turno (04/10) e, para presidente e governador em AC, AM, DF, ES, RN e TO, do 2º turno (25/10).
Regressão descontínua: disputas de prefeito decididas entre os dois primeiros (no turno decisivo); margem = diferença de votos entre os dois ÷ soma dos dois, em pontos percentuais. Regressão linear local com núcleo triangular de cada lado do zero; erro-padrão robusto agrupado por disputa; bandas de 2,5, 5, 10 e 15 p.p. (principal: 5). Para o efeito na pessoa, só entram disputas em que nenhum dos dois primeiros era o prefeito eleito na eleição anterior (assim quem vence pode tentar a reeleição). Placebos (resultados de antes da eleição, que não podem ser afetados por ela): ter sido candidato(a) a prefeito 4 anos antes e o partido ter vencido 4 anos antes — devem dar perto de zero.
Limitações
- O efeito vale para disputas apertadas (é local); não diz nada sobre prefeitos eleitos com folga.
- Ligação de pessoas entre eleições pelo identificador do portal (CPF comparado por código, nunca publicado); antes de 2000 não há municipais nos dados.
- Fusões de partidos são tratadas pela família atual (ex.: PFL/DEM/PSL → UNIÃO).
Dados para baixar
Arquivos CSV (separador ponto e vírgula, UTF-8) — abrem no Excel, LibreOffice e Google Planilhas. Uso livre com citação da fonte: "Colinha Digital — Ciência política aplicada", com o link da página.
Referências
- LEE, David S. Randomized experiments from non-random selection in U.S. House elections. Journal of Econometrics, v. 142, n. 2, p. 675–697, 2008.
- KLAŠNJA, Marko; TITIUNIK, Rocío. The incumbency curse: weak parties, term limits, and unfulfilled accountability. American Political Science Review, v. 111, n. 1, p. 129–148, 2017.
- IMBENS, Guido; KALYANARAMAN, Karthik. Optimal bandwidth choice for the regression discontinuity estimator. Review of Economic Studies, v. 79, n. 3, p. 933–959, 2012.
Como citar
Colinha Digital. Reeleição, renovação e efeito do cargo. Ciência política aplicada — Colinha Digital, 2026. Disponível em: https://colinhadigital.com/analises/reeleicao/. Acesso em: 26/10/2026.